Sonhos Lúcidos para Inferir a Ativação do Córtex Cerebral

Polisonografia do sono REM com o EEG destacado na caixa vermelha e os movimentos rápidos dos solhos sobre a linha vermelha (fonte: Wikimedia Commons).

No post anterior mencionei o trabalho de dos neurocientistas Martin Dresler e Michael Czisch, ambos do Instituto Max Planck de Psiquiatria, em Munique, Alemanha, citado no último número da Readers Digest.

Agora vou entrar em mais detalhes sobre sua pesquisa, publicada em um artigo em outubro de 2011 na revista Current Biology.

Dresler e Czisch queriam encontrar uma maneira de usar técnicas de varredura de imagens cerebrais para observar o que as pessoas estavam fazendo em seus sonhos. Em outras palavras, quais áreas do córtex cerebral seriam ativadas durante o sonho.

Para interpretar essas neuroimagens durante os sonhos, no entanto, era preciso saber primeiro como o cérebro aparece na varredura quando ele está executando uma determinada tarefa durante um sonho. Esse era um desafio difícil porque a maioria dos sonhadores não pode controlar o que estão fazendo.

Entrou em cena, então, o sonho lúcido, um estado diferenciado de consciência em que uma pessoa que dorme fica, ainda que momentaneamente, consciente de que ela está sonhando e durante o qual ela tem algum controle sobre as ações que desenrolam-se no sonho.

Segundo Dresler “Cerca de metade das pessoas já teve um sonho lúcido, mas muito poucos têm eles em uma base regular.” Contudo, algumas pessoas podem aprender a sonhar lucidamente com mais frequência.

O treinamento para obter-se sonhos lúcidos, segundo o neurocientista Daniel Erlacher da Universidade de Berna (que não estava envolvido na pesquisa de Dresler) envolve técnicas como, por exemplo, registrar por escrito os próprios sonhos.

Dresler e Czisch recrutaram seis pessoas que haviam sido treinadas para ter sonhos lúcidos, instruindo-as para sonhar que estavam cerrando os punhos de ambas as mãos, colocando-as para dormir conectadas aos scanners cerebrais.

Quando os voluntários estavam dormindo, eles próprios informavam que estavam vivenciando um sonho lúcido, pois haviam sido treinados para mover os olhos da esquerda para a direita duas vezes sempre que percebessem que estavam vivenciando essa experiência. Os movimentos realizados no sonho lúcido reproduziam-se no corpo físico onde podiam ser monitorados. Os pesquisadores checavam nesses momentos os padrões de atividade cerebral para se certificar de que eles realmente estavam na fase do sono conhecida como “movimento rápido dos olhos” (sono REM).

A equipe, então, gravava a atividade do cérebro usando ressonância magnética funcional (fMRI), que mostra imagens de alta resolução da atividade cerebral em todo o cérebro, e com espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), que mostra a atividade na superfície do cérebro.

Apenas dois dos participantes foram capazes de ter sonhos lúcidos em duas tentativas, conectados aos scanners, que, por sinal, são equipamentos muito ruidosos. Mas, em cada uma delas, sendo um em fMRI e outro em NIRS, os pesquisadores viram a área do córtex motor, que controla a mão esquerda da mesma maneira como em alguém que está acordado.

Dessa forma, conforme avançam as pesquisas, novas aplicações vão surgindo para os sonhos lúcidos. Quem sabe o que poderá surgir daqui para frente?

Para saber mais – Livros:

Livro Estado VibracionalLivro Experiências Fora do Corpo - Fundamentos

 

 

 

 

 

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